Monday, April 23, 2007

Pranto por Ernesto Guevara

A fotografia caíra da montra
e eu vi:
na pestana cintila o céu chuvoso
como brilham os arados da Bolívia
e a geada nos descalços pés morenos.


Bolívia...Ainda lhe doí a ferida acre
ou ele está quieto e só a terra doí
ali
onde o pranto de mãe erra com as caravanas
e o procura
toda a noite até que a manhã rompe.


As raízes transforman-se-lhe em tecto.
O punho chora na espingarda.
Mesetas de cinza,dai-lhe o silêncio


para que ouça como rangem os berços,
como flutuam no sono as bandeiras queimadas.


Dai-lhe o silêncio onde jaz
com a sua boina guerrilheira e as pestanas de sombra
onde-como sentinela-pela voz derradeira
a noite,perto dele,avança com largos ombros de chuva.




IVAN DAVIDKOV(BULGÁRIA)

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