Friday, February 23, 2007

NOCTURNO

Espírito que passas,quando o vento
Adormece no mar e surge a lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento....


Como um canto longínquo-triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração,que temultua,
Tu vertes pouco a pouco o esquecimento....


A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz,rompendo a treva,
Buscando,entre visões,o eterno Bem.


E tu o meu mal sem nome,
A febre de Ideal,que me consome,
Tu só,Génio da noite,e mais ninguém!


SONETOS,Antero de Quental

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